abriu os olhos e mentalmente percorreu os últimos acontecimentos dos dias. Percebeu que não havia motivos para querer viver mais um dia. Não queria ter de responder perguntas, muito menos para si mesma. Pensar em respostas era coisa que a essa altura lhe causava náuseas. Sabia que não eram explicáveis coisas que não se cabem em palavras.
Pensou na conversa que haviam tido a pouco e sentiu o coração em pedaços. Lembrou-se então de como dissimular alegria, entristece.
Sentiu pesar sobre si todo o cansaço dos últimos acontecimentos, das últimas horas, dos últimos dias.
Pensou em mergulhar em busca de ar. Quanto mais fundo conseguisse ir, menos escutaria o próprio coração batendo forte a dor e angústia de ter visto despedaçados seus pequenos e frágeis planos de afeto, porque não conhecia outro ritmo que não fosse essa agonia. Desejou se perder de si mesma de uma vez para sempre. Não conseguiu. Ela.
{27 Abril 2008} Ela
